E lá se foram 5 anos…

Há exatos 5 anos, eu chegava para ficar nessa terra de schnitzel, Mozart e Conchita Würst. Na chegada, meu príncipe não foi me encontrar de cavalo branco, mas com uma linda faixa escrita “Willkommen, Mari”, com as cores da bandeira do Brasil. Naquele momento eu nem conseguia ver a faixa, porque meus olhos estavam tão cheios de lágrimas que tapavam minha visão por completo. Chorei a viagem inteira, de Munique a Viena, onde no dia seguinte fomos assistir à um show do U2.

Depois de uns dias em Viena, viemos para Innsbruck, onde chorei praticamente o primeiro ano inteiro. A adaptação foi muito difícil. Muito mais do que quando fui para a Irlanda, já que para lá eu fui com um prazo pra voltar (que ainda acabei prolongando por uns meses). Mas aqui, o prazo para voltar se tornou ilimitado, principalmente depois que o motivo que me trouxe para cá se tornou oficialmente a pessoa com quem quero passar o resto da minha vida.

A saudade da família, dos amigos, da vida falando a minha língua materna e de tudo mais que deixei para trás parecia que não ia diminuir nunca. Era (e ainda é, muitas vezes) difícil de explicar para quem tá no Brasil como eu posso reclamar de estar morando num lugar com uma qualidade de vida incomparável com o que existe na maior parte do mundo. Só quem precisa de quase 30 horas de viagem para chegar em casa e dar um abraço na sua mãe, pai e irmãs vai conseguir entender.

A dor da saudade diminui. Isso é verdade. Mas ela nunca some. Ela fica sempre ali, no fundo do peito, e um encontro da família inteira no Brasil que a gente perde, uma formatura ou um casamento de um amigo muito querido que não é possível estar presente, ou mesmo o pai, mãe e irmãs reunidos em casa num final de semana normal são motivos para ela voltar com tudo e te lembrar que você tá longe e que cada momento desses são precisos. Ah como eu queria poder me teletransportar… Eu seria a pessoa mais feliz do mundo!

Então falando em felicidade… Como falei, tive alguns momentos difíceis. A adaptação num país diferente pode ser meio penosa. Sofri muito para aprender a língua e no começo não tinha contato quase nenhum com brasileiros, e pouco com outros estrangeiros, então era forçada a aprender na marra o alemão. Fora a busca de emprego, que também não foi tarefa fácil. Mas graças a Deus nunca me faltou nada, sempre tive comida, uma cama quentinha para dormir e o apoio da minha família e marido. Mas gosto de enfatizar que para chegar até aqui, não foi a coisa mais fácil do mundo. Em alguns momentos dava (e as vezes ainda dá!) vontade de largar tudo e voltar correndo para Campo Alegre.

Para se adaptar a vida de estrangeiro, é preciso aprender a matar um leão por dia. Os desafios são grandes e tudo parece ser um pouco mais complicado do que para os nativos. Aos poucos fui conseguindo dominar a língua, arrumar meu lugar ao sol na área de engenharia civil e fazer amizades. Alguns austríacos, outros estrangeiros, e aos poucos foram aparecendo os brasileiros também (que agora formam uma comunidade muito grande aqui em Innsbruck). Hoje posso dizer que estou muito mais feliz, porque tenho pessoas muito queridas com quem compartilho momentos muito felizes. A vida aqui está realmente ótima!

Fora a adaptação no sentido emocional, existe também a adaptação física, e essa não tem como se comparar… A qualidade de vida que temos aqui é algo que me faz sentir muito privilegiada. Certamente que com isso a adaptação é instantânea: ciclovias pela cidade toda, muita natureza para se desfrutar, sistema de saúde de qualidade, segurança de andar pelas ruas sem medo. Tudo isso não tem comparação com o Brasil, sem dúvida.

Em 5 anos, viajei muito, conheci muita gente, comi muitas comidas diferentes, fiz coisas que nunca imaginei que eu era capaz de fazer. Também recebi muitas visitas (muito mais do que pensei que receberia). Posso afirmar que, entre tudo isso, os momentos mais marcantes que vivi foram os que compartilhei com pessoas queridas. Eu amo viajar, mas eu aprendi uma lição muito importante na minha vida: não importa onde estivermos (se em Paris ou na varanda de casa), o importante é estarmos felizes junto de pessoas que nos fazem bem!

Nesse tempo desde que cheguei, eu cresci muito. Quando vim para cá eu era uma menina 23 anos e hoje sou uma mulher de 28. Não me arrependo de nada que fiz. Podia ter dado tudo errado, mas graças a Deus e a minha força de vontade, deu tudo certo. Sinto muita falta do colinho da mãe, de um abraço do pai, de umas risadas com as irmãs, das comidas da avó, das festas de família, de encontrinhos com as amigas de longa data, e de tanta outras coisas que só tenho uma vez por ano e por tempo limitado. Mas a escolha foi minha e aqui estou eu, 5 anos na Áustria.

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Showing 4 comments
  • Maria

    Nivel de identifcacao: total!

  • Mariana Goncalves

    Né! 😉

  • Ana P

    A saudade de quem ficou no Brasil também é grande, mas saber que estás feliz torna mais fácil. Te amo!

  • Renata RZ

    Parabéns pelos 5 anos, pelo esforço e pelo amor!!!
    Beijinhos green

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