Desabafo

Eu pensei muito se deveria ou não escrever esse post, porque vou falar de algo muito pessoal e faz tempo que eu não falo de coisas tão pessoais por aqui. Resolvi escrever porque, assim como eu, com certeza existem outras gravidinhas na mesma situação e quem sabe isso possa ajudá-las a se sentir menos solitárias nesse mundo de barrigas crescendo.

Eu sempre quis ser mãe. Não sabia direito quando nem onde isso iria acontecer (considerem que moro em outro país, por isso o “onde”), mas sempre tive a vontade de ser mãe. Nunca parei muito para pensar na gravidez. Tive pouco contato com grávidas na vida, do tipo de contato mais direto, de saber tudo que se passa na vida. Tenho amigas e familiares que tiveram babies, mas eu não estava por perto para saber como foi a gravidez. Isso me deixou assim despreparada para esse momento. Na minha cabeça, ficar grávida seria uma fase super tranquila, onde minha barriga cresceria mas minha vida continuaria a mesma. E, pra minha surpresa, isso realmente pode acontecer com algumas mulheres. Se você é uma delas, sinta-se muuuuito sortuda e especial! Pois outras, como eu, não têm a mesma sorte.

Minha gravidez foi planejada e aconteceu logo no primeiro mês. Foi lindo ver aquele resultado positivo no teste, mas ao mesmo tempo meio desesperador. Nem tive tempo de repensar a ideia e tudo já havia mudado. Claro que o desespero durou uns 10 minutos e depois a alegria tomou nossos corações. Depois de 7 anos juntos e 5 anos casados, estamos realmente formando nossa família.

As primeiras semanas foram tranquilas. Eu sentia um pouco mais sono que o normal, mas fora isso tudo corria bem. Até que, na 8ª semana de gravidez, tudo mudou. Comecei a ter muito enjoo e vomito, principalmente de manhã e à noite. Além disso, muita dor de cabeça, indisposição, sono incontrolável e fraqueza. Meu médico disse que era normal e me recomendou não tomar nenhum remédio porque isso passaria com o tempo (mais tarde, depois de tanto eu insistir, ele acabou me receitando algo). Todos os livros e blogs de gravidez falam que esses sintomas são super comuns no primeiro trimestre, mas que a partir da 12ª semana tudo melhora, como num passe de mágica.

Então tá. Eu, inocente, acreditando que seriam apenas 4 semaninhas com todos esses desconfortos, resolvi aceitar na boa e viver um dia depois do outro, trabalhando o quanto podia de casa ou indo pra faculdade, e esperando a 13ª semana milagrosa chegar. E ela chegou. E nada mudou. Então a cada semana que se passava, minha agonia de continuar na mesma situação aumentava. Alguns sintomas tinham melhorado, como a dor de cabeça que já não era mais constante e as vezes ficava dias sem dor. Mas em contrapartida, eu não conseguia comer direito por causa do enjoo e continuava vomitando. Tive que tirar muuuuitas coisas do cardápio. Além de coisas normais que grávida não pode comer, eu também não consigo comer as coisas que já vomitei muito ou que o gosto do vômito tenha ficado na minha memória (sim, sei que é nojento falar disso, mas eu já nem tenho mais pudor com o assunto). Eu já estou no 2º trimestre e tudo que eu havia lido e ouvido pra mim é uma farsa.

Os famosos hormônios que deixam a grávida sensível e chorona vieram com tudo nas semanas 15 e 16. Eu passei dias chorando muito. Eu estava muito triste, muito mesmo. Fiquei triste primeiro porque não conseguia aceitar que ainda estava mal. Além disso, não conseguia me concentrar em nada, portanto não estava conseguindo trabalhar direito e ficava me culpando por estar atrasada com as coisas do doutorado. E por último, ficava triste porque eu estava triste e isso poderia prejudicar meu baby. Ou seja, eu estava um caco. Me sentia a mais chata das criaturas, pois todas as pessoas que se importam comigo me perguntavam como eu estava e minha resposta era sempre a mesma: não estou bem. Dá pra ser feliz se sentindo mal todos os dias? Eu sentia vontade de mentir e falar que está tudo bem quando não está. E foi o que comecei a fazer.

Essa semana entro no 5º mês de gravidez (18ª semana) e já tem 10 semanas que estou nessa situação de vomitar praticamente todo dia. Agora eu já não aguento mais ficar reclamando de tudo, então se me perguntam como estou, falo que estou melhorando e que tudo vai passar, quando na verdade acredito que vou vomitar até o dia do parto. Só não quero mais ser aquela pessoa baixo-astral e depressiva que eu estava me tornando. Ontem mesmo passei o dia vomitando e com ânsia. Mas vai passar… (ou não). Trabalhei muito o meu emocional para tentar ficar positiva mesmo nos dias que me sinto mal. E isso tem me ajudado bastante.

Os livros e blogs sobre gravidez dizem pra aproveitar esse momento, que a gravidez é uma fase tão linda e tão gostosa. Talvez seja sim, pra algumas pessoas. Pra mim, está sendo uma fase onde minha cama é o meu lugar preferido do mundo, ainda mais por ficar perto do meu banheiro, que é pra onde preciso correr com frequência. Sair de casa se tornou algo penoso e que evito fazer pelas manhãs, que é quando me sinto pior. Cozinhar também não é algo que me apetece muito, principalmente se já estou enjoada. Ah, e os remédios não ajudam muito não. Mas vai passar… (ainda tentando ser positiva)

Não vejo a hora de outubro chegar para ter meu baby nos meus braços! É só nisso que penso nesses dias que estou mal, que é tudo por uma boa causa e que tudo isso vai ficar pra trás rapidinho no momento que eu estiver com ele(a). É isso que me fortalece e me estimula a ficar mais positiva. Não quero mais passar tristeza pro meu baby. Então, se você me perguntar se estou bem, minha resposta é: sim, estou bem, pois meu baby está bem e isso é o que importa no momento.

Obrigada a todos que me ajudaram (fiz muita amigo-terapia pra chegar até aqui) e um beijo grande!

 

PS. Eu não tenho hiperemese gravídica, que é quando as grávidas vomitam tanto que não conseguem comer nada e precisam ser internadas para tomar soro pois chegam a perder muito peso. Eu consigo comer e fazer comidas pararem no meu estômago. Meus vômitos são na maioria das vezes de manhã, e de vez em quando de noite. Praticamente nunca depois do almoço. Mesmo assim, não deixa de ser um grande incômodo.

PS 2. A imagem tem lacinho rosa mas ainda não sabemos o sexo do baby. Só esclarecendo pra não criar falsas impressões… 😉

PS 3. Na tentativa de me acalmar, várias pessoas aqui me falaram que quando a mamãe tem muito enjoo na gravidez, o bebê é bem calminho. Vou tentar acreditar nisso, vai que no fim é verdade? 😉

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Showing 6 comments
  • Flavia

    Calma Mari! Tudo vai melhorar. Fiquei triste em saber que vc não tem melhorado, mas acho que vc esta fazendo certo em tentar passar por cima e dizer que está bem. Com isso vc consegue se distrair , mesmo que por pouco tempo. Pense que tudo isso vai valer a pena quando vc ver seu baby nos seus braços ! Tudo vai fazer sentido.
    Força! Beijos

  • Christine

    Oi Mariana.
    Fico contente que vc escolheu se manter em boa expectativa. Não vai passar o seu enjôo, mas vai fazer vc sofrer menos no final. Eu fui uma das grávidas sortudas que você falou lá no início…por duas vezes fui uma gravida sem nenhum enjoo, super disposta etc etc etc. Não tenho do que reclamar, por mim ficaria grávida todo o ano… hahaha (SQN), de tanto que a gravidez me fez bem. Mas… tenho uma prima que sofreu que nem você, e lendo seu relato da espera pela 13° semana, ri alto (sorry), me lembrando da minha prima – porque depois que passa, a gente ri… acredite. Bom, ela realmente foi assim até a sala de parto… e por conta disso ficou no filho único. Mas mesmo assim, ela sente saudades da barriga e do momento de espera e de sonho com o bebê que toda gestante passa.
    O que posso te dizer é que você não é a única (por um lado isso consola) e mantenha essa atitude poitiva. Vc verá que vai te ajudar a superar. E no final, como vc escreveu, o que toda mãe quer é que seu baby esteja sadio e se desenvolvendo bem. E se assim está, agradeça, pois a gravidez é temporária!
    Beijo.

  • Ana Duarte

    Ola Mariana. Sinto muito que esteja a ser tao dificil passar essa fase…mas vai passar, isso e que importa. Eu ainda nao tenho filhos e ainda nem penso mt nisso (embora a idade ja comece a fazer alguma pressao) mas sempre me causou algum receio a parte da gravidez. Desejo-te tudo de bom. Um beijo

  • Mari

    Obrigada pelas palavras, Flávia! Tem dias bons e tem dias ruins. Mas no fim tudo vai valer a pena sim! 🙂 Um beijão!!!

  • Mari

    Obrigada, Christine! Pensar positivo tem me ajudado bastante mesmo que não venha a melhorar dos enjoos. Pelo menos não vejo mais isso como um “problema” e sim uma “consequência”. 🙂 Um super beijo!

  • Mari

    Obrigada, Ana! Espero que, quando ficares grávida, tenha uma gravidez linda e tranquila. Acho interessante conversar com sua mãe sobre isso, porque o próprio médico falou que se a mãe teve uma gravidez com mais enjoo, as chances são maiores de a filha ter também. Não sei se é 100% verdade, mas no meu caso foi.
    Um beijo!

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