Adaptação ao novo lar

Voltei!

Está quase completando 4 meses que estamos no Brasil. E esse tempo passou voando! A mudança foi uma loucura. Mas é isso, faz parte e bola pra frente. Hoje vim tirar a poeira do blog. Resolvi contar algumas das coisas que a gente mais sente diferença entre aqui e a Áustria (tanto coisas boas quanto ruins).

– Fila do supermercado (ponto pra Áustria). Gente, fila do supermercado aqui no Brasil (principalmente aqui em SP) é algo difícil heim. Se você não tem uma paciência de Jó, não vá ao supermercado. E nunca vá ao supermercado com pressa, pois você pode ter um infarto. Lá na Áustria, em qualquer supermercado (especialmente no Hofer) as filas andam muito rápido, e isso que não tem ninguém para ajudar a colocar as compras na sacola como aqui muitos lugares ainda têm. É tão rápido que a gente até fica meio com o coração acelerado na hora que chega perto do caixa, se preparando psicologicamente para pegar tudo rapidinho, pagar e sair dali porque senão a pessoa do caixa começa a empurrar suas coisas e elas começam a cair no chão e todo mundo fica bravo do resto da fila e você fica desesperado. Hahaha. Meio dramático, mas é assim mesmo! E é tãaaaao melhor do que ficar horas numa fila que não anda!!! Essa semana fui num supermercado desses de rede grande aqui perto e eu queria morrer com a demora! E isso que só tinham duas pessoas na minha frente e elas nem tinham tanta coisa assim.

– Simpatia (ponto para o Brasil). Por mais que eu ainda conheça muito pouca gente aqui em SP, eu nunca me sinto sozinha. Aqui você conversa com qualquer pessoa sobre qualquer assunto em qualquer lugar. Na Áustria todo mundo é muito reservado e ninguém puxa assunto com ninguém assim do nada. Aqui você faz amizade no elevador (fiz, por sinal), conversa com a funcionária da farmácia da esquina sobre sua vida e fica sabendo da vida toda dela também, ouve histórias de tudo quanto é assunto dos motoristas de Uber, desabafa com a secretária da pediatra, e assim por diante. Só não conversa quem não quer mesmo, porque ouvintes e contribuintes para um papo tem de monte! Eu que gosto de conversar tô amando ter isso novamente. Na Áustria não tem muito de bater papo sem motivo. Tem quem prefira assim também.

– Natureza (ponto para a Áustria). A gente tava muito acostumado a fazer atividades ao ar livre praticamente todo final de semana. Estamos sentindo muita falta disso. Aqui tem parques e tudo mais, mas é diferente. Nós gostávamos de fazer trilhas e aqui os parques até são legais, mas é muito limitado.

– Clima (para mim, ponto para o Brasil). Eu nunca curti o inverno de meio ano da Áustria, então estou feliz em estar de novo num clima tropical. Antes de ir pra Áustria eu até gostava de frio, porque aqui o inverno é curtinho e é gostoso de curtir uma coberta e uns casacos por algumas semanas. Mas cada vez que chegava o frio lá, me dava um princípio de depressão em saber que levaria no mínimo meio ano para poder sair de manga curta na rua de novo. Thomas já discorda. Ele ama o inverno.

– Comida (ponto para o Brasil). A comida da Áustria é maravilhosa. Gosto muito mesmo. Os mercados, depois que você se acostuma, também são ótimos e tem muita opção. Mas eu nasci e cresci aqui, sou acostumada com a comida brasileira, com o buffet a quilo, com as padarias cheias de variedade, com as frutas saborosas a preços pagáveis, com suquinhos naturais e água de cocô, com farofa, pastel e pizza de banana.

– Preço e qualidade (ponto pra Áustria). Aqui me refiro a diversos tipos de produto, desde utensílios de cozinha até móveis. Na Áustria a gente paga um preço justo para coisas simples, mas que vão durar. Aqui no Brasil, infelizmente, para comprar algo de qualidade temos que desembolsar muito mais. Se resolver comprar o mais barato, pode ter certeza que 99% das vezes, vai precisar comprar outro logo ou vai se irritar muito porque o negócio não vai funcionar direito nunca.

– Serviço (ponto para a Áustria). Na Áustria tem muito do faça você mesmo, pois tudo que envolve mão de obra custa caro. Acho que isso faz com que as pessoas valorizarem mais o serviço prestado. Aqui todo mundo fica meio refém de receber tudo pronto, pagar para tudo ser feito. Como me acostumei com essa vida de fazer tudo eu mesma, quando eu faço eu sei que vai ficar bom (ou pelo menos do meu agrado). Então fico meio revoltada quando alguém faz algo mal feito e cobra por isso.

Em resumo, todo lugar tem suas coisas boas e ruins né. Acho que muitas coisas que me incomodam agora aqui no Brasil eram coisas que passavam despercebidas antes, mas agora eu vejo que existe potencial para melhorias.

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