Radicalizando

Aqui na Áustria, várias empresas (acredito que a grande maioria, se nao todas) fazem uma ou duas vezes por ano um dia de integracao dos funcionários. Como em alemao tudo tem nome, isso se chama “Abteilungsausflug” (tour com o departamento) ou “Firmenausflug” (tour com a firma). Quando eu trabalha na ILF, eu acabei nunca indo junto nesses tours porque a data bateu com outros compromissos marcados. Entao quando marcaram o tour com o departamento onde trabalho/estudo na uni, super me animei para ir. A data foi marcada um mês atrás, e falaram que íamos fazer “canyoning”. Eu me confundi com “canoeing”. Canoeing é canoagem, e o outro é algo totalmente diferente. O que estava por vir é algo bem interessante – logo chego lá.

Antes de comecar o tour de canyoning, fomos passar a manha num clube de piscinas e tobogas que é bem famoso aqui na regiao e chama “Area 47”. O lugar é bem legal, tem umas 3 piscinas naturais (tipo lago, mas nao bem lago…) uma torre com vários tobogas, trampolins, área de escalada, área de vôlei de areia, e outras coisas mais. A Area 47 fica na cidade de Imst, e de carro leva um pouco mais de meia hora de Innsbruck. Eu sou meio medrosa para coisas muito radicais, apesar de minha curiosidade as vezes falar mais alto e me levar a experimentar (as vezes me arrependo depois, mas pelo menos tentei). Desci em alguns tobogas e foi bem divertido. Num deles eu cheguei lá em cima e quase desci de volta pelas escadas, mas um colega insistiu tanto pra eu tentar, que fui. E adorei.

O dia nao estava lá muito lindo. O céu estava bem nublado e no meio dia caiu uma chuva, mas por sorte logo parou e pudemos continuar a aproveitar nosso dia de integracao. As três da tarde comecamos nossa preparacao para o canyoning. Vestimos nossos trajes de neoprene, com direito a sapatao e cinto de escalada. Pois é, foi aí que me toquei que nao íamos andar de canoa…

Fomos com uma van até um local onde paramos numa ponte. Para comecar o canyoning, precisamos entrar no rio pela ponte, fazendo rappel. Aham… e isso foi só o comeco. Eu tenho muito medo de altura (apesar de fazer escalada com alguma frequência – mas o detalhe é que nunca olho para baixo), e agora vocês conseguem imaginar o meu medo de descer uma ponte de rappel e cerca de 18 metros de altura, e cair num rio. Fiz um draminha, o pessoal riu da minha cara, mas depois todo mundo veio perguntar se eu tava bem. 😉 Dali em diante, foi uma aventura atrás da outra.

Canyoning, segundo o Wikipedia, “é um desporto que consiste na exploração progressiva de um rio, transpondo os obstáculos verticais e anfíbios, através de diversas técnicas e equipamentos”. Felizmente nao encontramos nenhum anfíbio pelo caminho, ufa… Mas fora isso, foi exatamente o que fizemos.

Depois de descer a ponte de rappel, fomos andando pelo rio até encontrar os próximos obstáculos, entre eles mais rappel (ao todo foram umas 5-6 descidas), pular de uma cachoeira de uns 3 metros de altura na água, escorregadores naturais, e muitos tropecos pelo caminho andando na água cheia de pedras soltas e lisas de limo. O que mais me assustou foi um dos escorregadores, que comecava como escorregador e depois vinha uma queda de mais de um metro. O problema é que a correnteza empurra a gente muito forte, e quase me afoguei nessa brincadeira (mae, tá tudo bem, viu? sobrevivi!). Como tinha chovido no meio dia, o rio estava com um pouco mais de água que o normal.

Quando acabou, deu até uma mini-vontade de fazer de novo. Mas já passou. Isso foi a coisa mais radical que eu já fiz até hoje, e provavelmente continuará sendo por um bom tempo. Infelizmente nao pudemos tirar fotos porque era perigoso de a câmera ser carregada pela correnteza, mas encontrei o site da Area 47 (eles mesmo que fazem o tour do canyoning) e lá tem várias fotos para quem tiver curiosidade em ver como é. FOTOS CANYONING

Depois disso, fomos todos juntos para um restaurante jantar. A fome era grande, já que a água tira muita energia da gente. Cheguei em casa pelas 10 da noite, “fix und fertig” como diriam os austríacos (ou acabada, em português). Hoje sinto dores até nas sombrancelhas. Sem brincadeira, tudo dói. Mas valeu muito a pena pela experiência, a diversao e a integracao com a galera do departamento.

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